Transformers - Você Pensa Como Fala

A hipótese de Sapir-Whorf, também conhecida como relatividade linguística, postula que a linguagem que utilizamos influencia ou mesmo determina a maneira como percebemos e conceituamos o mundo ao nosso redor [1]. Essa perspectiva sugere que nossa língua materna funciona como um filtro, ativamente moldando nossos processos cognitivos e a própria estrutura de nossos pensamentos [13]. Essa ideia fundamental desafia a noção de uma realidade objetiva e universalmente acessível, propondo que a diversidade linguística intrinsecamente conduz a uma variedade de visões de mundo, cada uma moldada pelas peculiaridades de uma língua específica [9]. Dada a sua natureza contraintuitiva e as suas implicações de longo alcance para a compreensão da cognição humana, a hipótese tem gerado considerável interesse e debate apaixonado em uma ampla gama de disciplinas acadêmicas, incluindo linguística, antropologia, psicologia e ciência cognitiva [1].
A formulação da hipótese de Sapir-Whorf é atribuída aos linguistas americanos Edward Sapir (1884-1939) e seu aluno Benjamin Lee Whorf (1897-1941) [2]. A atenta leitora deve notar, no entanto, que Sapir e Whorf nunca colaboraram formalmente na articulação de uma teoria unificada sob esse nome. O termo Hipótese de Sapir-Whorf ganhou ampla circulação somente após a morte de ambos, principalmente através do trabalho de outros estudiosos [22]. O próprio Sapir, influenciado por Franz Boas, parecia estar mais interessado em mapear as diferenças entre línguas e visões culturais de mundo, incluindo a influência mútua entre linguagem e cultura [1]. Boas, por sua vez, enfatizava a igualdade intrínseca de todas as culturas e línguas, rejeitando a ideia de línguas primitivas e defendendo a capacidade de todas as línguas expressarem o mesmo conteúdo, embora por meios divergentes [6].
Em sua essência, a hipótese de Sapir-Whorf aborda uma questão fundamental na interseção da linguagem e da cognição: o pensamento precede e molda a linguagem, ou a linguagem, por sua vez, estrutura e influencia o nosso pensamento [23]? Esta questão pode ser representada como:
\[\text{Pensamento} \rightarrow \text{Linguagem}\]ou
\[\text{Linguagem} \rightarrow \text{Pensamento}\]Esta questão tem sido um foco central de investigação e debate, ressaltando a sua importância para a nossa compreensão da mente humana e da sua relação com a ferramenta mais poderosa que possuímos para comunicar e conceptualizar a realidade [1]. Este pobre escriba defende esta última posição, embora reconheça que a relação entre linguagem e pensamento é complexa e multifacetada, envolvendo uma interação dinâmica entre os dois. Você pensa como fala.
Explorando as Diferentes Versões da Hipótese
A hipótese de Sapir-Whorf geralmente é discutida em termos de duas versões principais:
- Hipótese forte (determinismo linguístico): A linguagem determina completamente o pensamento;
- Hipótese fraca (relativismo linguístico): A linguagem influencia o pensamento, mas não o determina totalmente.
Determinismo Linguístico
A hipótese forte de Sapir-Whorf, ou determinismo linguístico, postula que a linguagem determina o pensamento [1]. De acordo com esta visão, a estrutura de uma língua limita e restringe as categorias cognitivas dos seus falantes [6]. Se uma língua carece de uma palavra ou estrutura gramatical para um determinado conceito, então, os falantes dessa língua seriam incapazes de pensar sobre esse conceito [1].
Um exemplo frequentemente citado para ilustrar o determinismo linguístico é a interpretação inicial de Whorf sobre a língua Hopi, falada por um povo nativo americano do Arizona. Whorf acreditava que o Hopi não possuía palavras ou formas gramaticais que se referissem diretamente ao que os falantes de inglês chamam de tempo, omitindo as conjugações verbais no passado ou futuro [2]. A partir desta observação, ele concluiu que os Hopi não concebiam o tempo como uma entidade física que pode ser contada em minutos e horas, como fazem os falantes de inglês, mas sim como um processo contínuo e amorfo [2]. Outro exemplo interessante está na Amazônia brasileira, onde a língua Pirahã não possui palavras para números, o que leva os falantes a não conceptualizarem quantidades numéricas de forma precisa [2].
Os Pirahã, povo indígena que habita às margens do Rio Maici na Amazônia brasileira, representam um fascinante exemplo para a hipótese de Sapir-Whorf devido ao seu sistema numérico único. Sua língua não possui palavras para números exatos, utilizando apenas termos para quantidades relativas como “hói” (pouco, ou um) e “hoí” (mais, ou dois) ou “baágiso” (muitos, ou três). Este sistema, extensivamente estudado pelo linguista Daniel Everett, sugere uma relação entre sua linguagem focada na experiência imediata e sua concepção de quantidade, ilustrando como estruturas linguísticas podem influenciar processos cognitivos fundamentais como a percepção numérica.
Esta visão extrema sugere que a própria capacidade de pensar sobre o tempo seria fundamentalmente diferente entre os falantes de inglês, ou português, ou francês, e os falantes de Hopi ou os índios da tribo Pirahã. A relação matemática poderia ser expressa como:
\[\text{Pensamento} = f(\text{Estrutura Linguística})\]Onde $f$ representa uma função determinística. Aqui, neste ponto, o pobre escriba discorda. A função não deve ser determinística. Deve ser probabilística. A função deve ser probabilística, pois a linguagem não é a única variável que influencia o pensamento. Outros fatores, como cultura, experiência e contexto social, também desempenham um papel significativo na formação do pensamento e da percepção. Parece mais fácil, montar uma equação com várias variáveis, probabilística, do que uma equação determinística. Dessa forma, será possível incluir fatores, como cultura, experiência e contexto social, também desempenham um papel significativo na formação do pensamento e da percepção. Fechando um ciclo de autossuficiência, onde a linguagem determina o pensamento, e a interação provoca a evolução da linguagem. Mas, eu sou apenas um pobre escriba, de subúrbio.
Levando esta lógica ao extremo, o determinismo implicaria que a tradução e a compreensão compartilhada entre línguas com estruturas radicalmente diferentes poderiam ser impossíveis em certas circunstâncias limitadas pelo tempo, pois as estruturas cognitivas seriam tão dispares que não seria possível encontrar uma base comum para o entendimento. Por exemplo, se uma língua não possui um termo específico para um conceito, como “tempo”, ou 10, os falantes dessa língua seriam incapazes de compreender ou discutir esse conceito de forma significativa.
No entanto, a hipótese forte de Sapir-Whorf tem sido amplamente rejeitada pela maioria dos linguistas, psicólogos e cientistas cognitivos contemporâneos. A ideia de que a linguagem atua como uma barreira absoluta ao pensamento é considerada demasiado restritiva e não encontra suporte em evidências empíricas robustas. E, novamente, o pobre escriba discorda. Talvez a maior parte dos linguistas e psicólogos esteja limitado a visão determinística da relação entre linguagem e pensamento. Se olhamos de forma probabilística e interativa, é possível ver o tempo e a interação social moldando a linguagem e esta, por sua vez, criando as estruturas cognitivas que influenciam o pensamento. Essa visão mais flexível e dinâmica da relação entre linguagem e cognição parece mais compatível com a diversidade linguística e cultural observada em todo o mundo.
Relativismo Linguístico
Em contraste, a hipótese fraca de Sapir-Whorf, ou relativismo linguístico, propõe uma visão mais matizada da relação entre linguagem e pensamento. Esta versão sugere que a linguagem influencia o pensamento e a percepção, mas não os determina completamente. De acordo com o relativismo linguístico, a linguagem que falamos pode tornar certos pensamentos mais fáceis de acessar, influenciar a maneira como categorizamos e entendemos o mundo, ou moldar nossos padrões habituais de pensamento [1]. E veja, persistente leitora que chegou até aqui, os defensores da hipótese fraca não estão dizendo que a linguagem não influencia o pensamento. Eles sugerem que a relação entre linguagem e pensamento é mais complexa do que a hipótese forte sugere. Observe que não é a hipótese que o pobre escriba defende, mas a relação entre linguagem e pensamento. A hipótese fraca sugere que a linguagem pode influenciar o pensamento, mas não o determina completamente. O pobre escriba acredita que linguagem determina e limita o pensamento. Ou seja, você pensa como fala, mas irá mudar sua forma de falar ao longo do tempo, de forma probabilística, de acordo com a necessidade e as interações sociais. E, quando mudar a linguagem, terá novas estruturas cognitivas. Ou seja, irá pensar de forma diferente.
A relação entre pensamento e linguagem adotada pela maioria dos autores pode ser representada como:
\[\text{Pensamento} = f(\text{Estrutura Linguística}, \text{Outros Fatores})\]Onde $f$ não é uma função que reflete uma influência parcial. Aqui, a linguagem é apenas um dos muitos fatores que moldam o pensamento, e a função $f$ pode ser influenciada por outros fatores, como cultura, experiência e contexto social. Essa abordagem mais flexível permite uma compreensão mais rica e dinâmica da relação entre linguagem e cognição, reconhecendo que a linguagem pode influenciar o pensamento sem restringi-lo completamente.
Esta perspectiva reconhece que, embora a linguagem possa influenciar a forma como pensamos sobre certas coisas, ela não impõe barreiras cognitivas intransponíveis. A hipótese fraca é a versão que atualmente recebe mais atenção e é considerada mais plausível por muitos cientistas comportamentais [1].
A distinção crucial entre o determinismo linguístico e a influência linguística reside no grau de impacto que a linguagem tem na cognição [1]. O determinismo sugere que a linguagem limita o pensamento, atuando como uma espécie de prisão cognitiva [2]. Por outro lado, a influência linguística propõe que a linguagem modela ou afeta o pensamento, funcionando como uma lente através da qual focamos certos aspectos da realidade, tornando-os mais salientes ou mais fáceis de processar [2].
Comparação das Versões
Característica | Hipótese Forte (Determinismo Linguístico) | Hipótese Fraca (Relativismo Linguístico) |
---|---|---|
Alegação Central | A linguagem determina o pensamento. | A linguagem influencia o pensamento. |
Natureza da Influência | A linguagem limita e restringe as categorias cognitivas. | A linguagem molda ou afeta os processos cognitivos. |
Implicações | Os pensamentos são limitados pela estrutura da linguagem. | A linguagem torna certos pensamentos mais fáceis ou salientes. |
Tradução | Pode ser impossível em alguns casos. | Geralmente possível, embora nuances possam ser perdidas. |
Status Atual | Amplamente rejeitada pela comunidade acadêmica. | Considerada plausível e ativamente pesquisada. |
Exemplo | (Interpretação inicial de) Hopi sem conceitos de tempo. | Falantes de russo distinguindo melhor tons de azul. |
Argumentos e Evidências que Apoiam a Hipótese de Sapir-Whorf
Apesar do ceticismo em relação à sua forma mais forte, a hipótese de Sapir-Whorf, particularmente na sua versão mais fraca, encontra suporte em várias áreas da pesquisa linguística e cognitiva:
Percepção de Cores
A percepção de cores é um dos exemplos mais frequentemente citados de influência linguística no pensamento [2]. Diferentes línguas categorizam o espectro de cores de maneiras distintas, e essas diferenças linguísticas parecem estar relacionadas a variações na forma como os falantes percebem e distinguem as cores.
Por exemplo, o povo Dani da Papua-Nova Guiné possui apenas dois termos básicos para cores: “mili” para cores frias e escuras e “mola” para cores quentes e claras [7]. Estudos iniciais sugeriram que os Dani tinham dificuldade em distinguir entre cores que o inglês categoriza separadamente, como azul e verde [32]. A atenta leitora já deve ter ouvido falar que os Esquimós têm dezenas, e em alguns textos centenas de palavras para neve. Este exemplo é frequentemente usado para ilustrar a ideia de que a linguagem pode influenciar a percepção e surgiu de um trabalho de Franz Boas. No entanto, essa afirmação foi amplamente exagerada e deturpada, uma vez que as línguas Inuit e Yupik possuem um vocabulário rico para descrever diferentes tipos de neve, mas o inglês também possui muitos termos para neve (por exemplo, “sleet”, “slush”, “flakes”, “flurries”) Como foi demonstrado por Geoffrey Pullum em The Great Eskimo Vocabulary Hoax (1991).
Em russo, existem duas palavras distintas para o que os falantes de inglês chamam de “azul”: “goluboy” (azul claro) e “siniy” (azul escuro). Uma pesquisa mostrou que falantes de russo eram mais rápidos e precisos em distinguir entre tonalidades de azul que caíam nessas duas categorias linguísticas do que falantes de inglês, para quem essas tonalidades são simplesmente variações de “azul” [2]. Da mesma forma, foi observado que falantes de grego conseguem distinguir entre tons claros e escuros de azul mais facilmente do que falantes de inglês, uma vez que o grego possui termos separados para essas duas categorias [8].
Orientação Espacial
A orientação espacial é outra área onde a linguagem parece exercer uma influência significativa no pensamento [2]. Diferentes línguas empregam diferentes referenciais para descrever a localização e o movimento no espaço.
Um exemplo notável é a língua Guugu Ymithirr, falada por um grupo indígena australiano [2]. Nesta língua, a orientação espacial é sempre descrita usando as direções cardinais. Em vez de dizer “a bola está à sua direita”, um falante de Guugu Ymithirr diria algo como “a bola está a sudeste de você”.
Esta diferença estrutural pode ser representada matematicamente como sistemas de coordenadas diferentes:
\[\text{Sistema Relativo (Inglês):} \begin{pmatrix} x \\ y \end{pmatrix} = \begin{pmatrix} \text{esquerda/direita} \\ \text{frente/trás} \end{pmatrix}\] \[\text{Sistema Absoluto (Guugu Ymithirr):} \begin{pmatrix} x \\ y \end{pmatrix} = \begin{pmatrix} \text{leste/oeste} \\ \text{norte/sul} \end{pmatrix}\]Esta exigência linguística constante de especificar a direção cardinal parece ter um impacto profundo nas habilidades cognitivas dos falantes. Estudos demonstraram que os falantes de Guugu Ymithirr possuem um senso de direção e uma consciência espacial excepcionalmente desenvolvidos, sendo capazes de se orientar com precisão mesmo em ambientes desconhecidos [2].
Categorização de Emoções
A forma como as línguas categorizam e expressam emoções também sugere uma influência da linguagem no pensamento e na percepção. Por exemplo, a língua alemã possui a palavra “Gemütlichkeit”, que se refere a um sentimento específico de paz, aconchego e pertencimento, que não possui uma tradução direta e concisa para o inglês [2].
Da mesma forma, a palavra japonesa “Amae” descreve um sentimento complexo de dependência e desejo de ser cuidado, que também é difícil de traduzir com precisão para o inglês, carregando conotações culturais específicas de confiança e segurança em ser nutrido.
A existência dessas palavras culturalmente específicas sugere que a linguagem fornece as ferramentas para categorizar e rotular estados internos, o que pode, por sua vez, influenciar a forma como entendemos e experimentamos essas emoções. À medida que o nosso vocabulário para descrever emoções se expande, também se expande a nossa capacidade de as distinguir e compreender [2].
Percepção do Tempo
A percepção do tempo é outra área onde a linguagem parece exercer uma influência [13]. Diferentes línguas utilizam metáforas e estruturas gramaticais distintas para falar sobre o tempo, o que pode afetar a forma como os seus falantes o conceituam.
Por exemplo, falantes de mandarim tendem a usar metáforas espaciais verticais para descrever o tempo, com “para cima” representando o futuro e “para baixo” representando o passado, enquanto falantes de português geralmente usam metáforas horizontais, como “à frente” para o futuro e “atrás” para o passado [32]. Isso pode ser representado como:
\[\text{Tempo (Português):} \begin{pmatrix} \text{Passado} \\ \text{Presente} \\ \text{Futuro} \end{pmatrix} = \begin{pmatrix} \text{Atrás} \\ \text{Aqui} \\ \text{À frente} \end{pmatrix}\] \[\text{Tempo (Mandarim):} \begin{pmatrix} \text{Passado} \\ \text{Presente} \\ \text{Futuro} \end{pmatrix} = \begin{pmatrix} \text{Abaixo} \\ \text{Aqui} \\ \text{Acima} \end{pmatrix}\]Curiosamente, falantes da língua Kuuk Thaayorre, na Austrália, que utilizam um sistema de referência espacial absoluto baseado em direções cardinais, também conceptualizam o tempo de acordo com essas direções, com o tempo a fluir tipicamente de leste para oeste, independentemente da sua orientação corporal [35].
Conceitos Numéricos
Até mesmo a forma como as línguas estruturam os conceitos numéricos pode ter um impacto na cognição [15]. Algumas línguas possuem sistemas de contagem mais complexos e precisos do que outras.
Por exemplo, as línguas Munduruku e Pirahã, da Amazônia, possuem um vocabulário numérico limitado, com palavras para apenas alguns números básicos e termos vagos para quantidades maiores [28]. Estudos sugerem que essa limitação linguística pode estar relacionada a diferenças na forma como os falantes dessas línguas conceituam e trabalham com quantidades numéricas, particularmente com números grandes e exatos [15].
Gênero Gramatical
O gênero gramatical, uma característica linguística aparentemente arbitrária presente em muitas línguas, também pode influenciar a forma como os falantes percebem os objetos [11]. Em línguas como o alemão e o espanhol, os substantivos são classificados como masculinos ou femininos, e essa classificação pode influenciar as associações que os falantes fazem com esses objetos.
Por exemplo, um estudo pediu a falantes de alemão e espanhol que descrevessem objetos como “ponte” e “chave”, que têm gêneros gramaticais opostos nas duas línguas. Os resultados mostraram que os falantes de alemão, onde “ponte” é feminino, tendiam a usar adjetivos que sugeriam feminilidade (por exemplo, “elegante”, “frágil”), enquanto os falantes de espanhol, onde “ponte” é masculino, usavam adjetivos que sugeriam masculinidade (por exemplo, “forte”, “imponente”) [11].
Críticas e Argumentos Contra a Hipótese de Sapir-Whorf
Apesar das evidências que sugerem uma influência da linguagem no pensamento, a hipótese de Sapir-Whorf também enfrentou várias críticas e argumentos contrários:
-
Possibilidade de Tradução: um dos principais argumentos contra o determinismo linguístico reside no fato de que a tradução entre línguas é geralmente possível, mesmo que possa ser complexa ou exigir circunlóquios [1]. Se a linguagem determinasse completamente o pensamento, seria difícil, senão impossível, traduzir conceitos de uma língua para outra, especialmente entre línguas com estruturas gramaticais e lexicais muito diferentes. O facto de sermos capazes de compreender e expressar ideias em diferentes línguas sugere que os nossos pensamentos não estão totalmente confinados à estrutura de uma única língua [8].
-
Gramática Universal: teorias como a Gramática Universal de Noam Chomsky propõem que a capacidade de adquirir e usar a linguagem é em grande parte inata e baseada em princípios universais que são comuns a todas as línguas humanas [1]. Esta perspectiva nativista sugere que existe uma base cognitiva universal subjacente à linguagem, que não é determinada pelas especificidades de uma língua particular.
-
Contra-evidências Empíricas: estudos mostraram que as pessoas podem compreender e até mesmo discriminar conceitos para os quais a sua língua não possui palavras específicas [7]. O caso do povo Dani e a sua capacidade de distinguir cores, apesar de terem apenas dois termos de cor básicos, é frequentemente citado neste contexto [7]. Embora a sua língua não possua palavras para muitas das cores que o inglês distingue, os Dani conseguem identificar e categorizar essas cores de forma semelhante aos falantes de inglês em tarefas não verbais [7].
-
Deturpações Históricas: o famoso exemplo das “muitas palavras esquimós para neve”, frequentemente usado para apoiar a hipótese, foi amplamente questionado e muitas vezes deturpado [3]. Embora as línguas Inuit e Yupik possuam um vocabulário rico para descrever diferentes tipos de neve, o inglês também possui muitos termos para neve (por exemplo, “sleet”, “slush”, “flakes”, “flurries”), o que enfraquece o argumento de que um vocabulário extenso numa área específica necessariamente indica uma percepção mais refinada ou um pensamento fundamentalmente diferente sobre esse tópico [3].
-
Desafios Metodológicos: é difícil estabelecer uma relação causal clara entre características linguísticas específicas e efeitos cognitivos [8]. É possível que as diferenças cognitivas levem ao desenvolvimento de diferentes estruturas linguísticas, em vez de o contrário. Além disso, a versão mais fraca da hipótese, o relativismo linguístico, tem sido criticada por ser por vezes formulada de forma vaga, tornando difícil a sua testagem e falseabilidade empírica [8].
-
Fatores Socioculturais: alguns argumentam que os fatores sociais e culturais desempenham um papel mais importante na formação da nossa visão do mundo do que a linguagem sozinha [13]. Pessoas que falam a mesma língua podem ter visões de mundo muito diferentes devido às suas experiências culturais, sociais e individuais, enquanto pessoas que falam línguas diferentes podem partilhar visões políticas, religiosas ou filosóficas semelhantes [27]. Isto sugere que a linguagem é apenas um dos muitos fatores que influenciam o nosso pensamento e percepção, e que os contextos sociais e culturais mais amplos também desempenham um papel crucial [13].
Exemplos Específicos de Influência Linguística no Pensamento e na Percepção
Apesar das críticas à hipótese forte, existem vários exemplos específicos que sugerem que a linguagem pode, de fato, influenciar o pensamento e a percepção de maneiras não triviais:
-
Guugu Ymithirr e Orientação Espacial: o caso dos falantes de Guugu Ymithirr e a sua orientação espacial fornece um exemplo convincente de como uma característica linguística específica pode moldar um domínio cognitivo fundamental [2]. A exigência constante na sua língua de usar direções cardinais para descrever a localização e o movimento parece levar a uma maior consciência espacial e habilidades de navegação superiores em comparação com falantes de línguas que dependem de referenciais relativos. Esta correlação sugere que os hábitos linguísticos podem promover o desenvolvimento de certas capacidades cognitivas relacionadas ao espaço [2].
-
Categorização de Cores em Russo: as diferenças na categorização de cores entre línguas, como o exemplo do russo que distingue entre tons claros e escuros de azul, também indicam uma possível influência da linguagem na percepção [2]. A maior facilidade e precisão dos falantes de russo em distinguir entre essas tonalidades específicas de azul, em comparação com os falantes de inglês, sugere que as categorias linguísticas podem influenciar a forma como segmentamos e lembramos o espectro contínuo de cores [2].
-
Concepção de Tempo em Hopi: embora as alegações mais fortes de Whorf sobre a língua Hopi e a sua alegada falta de um conceito de tempo tenham sido amplamente desacreditadas, as diferenças na forma como o Hopi codifica o tempo em comparação com o inglês ainda podem levar a formas habituais de pensar sobre conceitos temporais ligeiramente diferentes [2]. A ênfase do Hopi no tempo como um processo contínuo, em vez de uma série de unidades discretas, pode influenciar a forma como os seus falantes conceptualizam e experimentam a passagem do tempo [2].
-
Palavras para Emoções Específicas de Certas Culturas: a existência de palavras para emoções que são específicas de certas culturas, como “Gemütlichkeit” em alemão e “Amae” em japonês, ilustra como a linguagem pode encapsular e reforçar experiências emocionais culturalmente relevantes [2]. Embora os falantes de outras línguas possam ser capazes de compreender os conceitos subjacentes, a presença de uma única palavra para descrever essas emoções pode influenciar a sua saliência e reconhecimento dentro de uma determinada cultura [2].
Estudos e Pesquisas que Testam a Validade da Hipótese de Sapir-Whorf
Ao longo das décadas, vários estudos e pesquisas foram conduzidos para testar a validade da hipótese de Sapir-Whorf, com resultados mistos que apoiam principalmente a sua versão mais fraca:
Estudos Iniciais sobre Percepção de Cores
Os estudos iniciais sobre a percepção de cores realizados por Brown e Lenneberg nas décadas de 1950 e 1960 forneceram algum suporte inicial para a ideia de que a linguagem influencia a cognição das cores [7]. Estes estudos mostraram uma correlação entre a “codificabilidade” dos termos de cor em inglês (a facilidade com que uma cor pode ser nomeada e lembrada) e a capacidade dos participantes de reconhecer e recordar essas cores. No entanto, estes estudos foram posteriormente criticados por razões metodológicas [7].
Estudos Transculturais
Estudos transculturais posteriores, como os realizados por Lucy e Shweder e por Roberson e seus colegas, forneceram evidências mais matizadas para a relatividade linguística no domínio da percepção de cores [7]. Ao comparar falantes de línguas com diferentes sistemas de termos de cor (por exemplo, inglês versus Berinmo, uma língua da Papua-Nova Guiné, e inglês versus Himba, uma língua da Namíbia), estes estudos encontraram diferenças na memória de cores que eram consistentes com as categorias de cor das suas respetivas línguas [7].
Abordagens Probabilísticas
Abordagens mais recentes têm utilizado modelos probabilísticos para examinar a influência da linguagem na cognição, particularmente na área da percepção de cores [15]. Estes modelos sugerem que as categorias de cor específicas da língua atuam como um “pré-conhecimento” que influencia a forma como as pessoas recordam e reconstroem cores da memória, especialmente em condições de incerteza perceptual [15]. Isso pode ser representado como:
\[P(\text{cor percebida} | \text{estímulo}) \propto P(\text{estímulo} | \text{cor percebida}) \cdot P(\text{cor percebida} | \text{categoria linguística})\]Onde $P(\text{cor percebida} | \text{categoria linguística})$ representa o efeito da linguagem na percepção. |
Estudos como os de Bae et al. e Cibelli et al. forneceram suporte para esta perspetiva, mostrando que a memória de cores é tendenciosa em direção aos protótipos das categorias de cor da língua materna, e que este efeito é mais forte quando a informação perceptual é menos certa [15].
É nesta área que o pobre escriba gostaria de ver mais estudos.
A Influência da Hipótese de Sapir-Whorf em Diferentes Áreas de Estudo
Na linguística, a hipótese impulsionou uma vasta quantidade de pesquisas sobre a semântica, a gramática e as variações translinguísticas [1]. Desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento da antropologia linguística, um campo que se dedica a explorar as complexas interconexões entre linguagem e cultura [9]. O debate em torno da hipótese também contribuiu para uma compreensão mais profunda das funções da linguagem, indo além da sua mera função comunicativa para abranger o seu papel na estruturação do pensamento e da percepção [7].
Na antropologia, a hipótese de Sapir-Whorf tem sido fundamental para a exploração da diversidade cultural [2]. Sugere que a linguagem é uma chave essencial para compreender a visão de mundo de uma cultura, os seus valores, normas e estruturas cognitivas [2]. A hipótese enfatiza a importância de aprender a língua de uma cultura para obter uma compreensão mais profunda da sua forma de pensar e de interagir com o mundo. Além disso, fomentou a investigação interdisciplinar, integrando a antropologia linguística com a psicologia cognitiva, a neurolinguística e outros campos para explorar as complexas relações entre linguagem, cultura e cognição [20].
Na área da psicologia, a hipótese de Sapir-Whorf tem alimentado debates sobre a extensão em que a linguagem influencia os processos cognitivos, incluindo a percepção, a categorização, a memória e o raciocínio [2]. Embora a versão forte da hipótese seja amplamente rejeitada, a versão fraca continua a ser um tópico de investigação ativa em vários domínios, como a percepção de cores, a cognição espacial e a emoção [2]. A hipótese também levou à investigação sobre como o bilinguismo e o multilinguismo podem afetar os processos cognitivos e fornecer diferentes perspetivas sobre a realidade [13].
Comparando a Hipótese de Sapir-Whorf com Outras Teorias sobre a Relação entre Linguagem e Pensamento
A hipótese de Sapir-Whorf não é a única teoria que tenta explicar a complexa relação entre linguagem e pensamento:
-
Teoria do Desenvolvimento Cognitivo de Piaget: a Teoria do Desenvolvimento Cognitivo de Piaget apresenta uma visão contrastante, argumentando que o desenvolvimento cognitivo precede e influencia o desenvolvimento da linguagem [28]. Piaget propôs que as crianças devem primeiro desenvolver uma compreensão dos conceitos antes de poderem usar a linguagem para os expressar. Esta compreensão desenvolve-se através de esquemas, que são estruturas mentais que guiam o comportamento e as expectativas de uma criança [28]. De acordo com Piaget, o pensamento forma a base para a linguagem, e não o contrário.
-
Teoria da Gramática Universal de Chomsky: a Teoria da Gramática Universal de Chomsky oferece outra perspetiva sobre a relação entre linguagem e pensamento [1]. Chomsky propôs que a capacidade de adquirir linguagem é inata, com as crianças a nascerem com uma predisposição para as regras gramaticais que governam todas as línguas humanas. Esta teoria foca-se na base biológica da aquisição da linguagem e sugere uma estrutura subjacente universal para todas as línguas, o que contrasta com a ênfase da hipótese de Sapir-Whorf na diversidade linguística levando a diferenças cognitivas [1].
-
Teoria Sociocultural de Vygotsky: a Teoria Sociocultural de Vygotsky oferece uma perspetiva que enfatiza o papel da interação social e da linguagem no desenvolvimento cognitivo [28]. Vygotsky acreditava que a linguagem e o pensamento inicialmente se desenvolvem de forma independente nas crianças, mas depois se tornam interligados, com a linguagem a servir como uma ferramenta crucial para o crescimento cognitivo. Ele enfatizou o contexto social e cultural da linguagem e o seu papel na formação do pensamento através da fala internalizada [28].
-
Hipótese da Linguagem do Pensamento: a Hipótese da Linguagem do Pensamento (HLP) propõe que a própria representação mental tem uma estrutura linguística [28]. De acordo com a HLP, o pensamento ocorre dentro de uma espécie de “língua mental” interna. Esta teoria difere da hipótese de Sapir-Whorf, que se concentra em como a linguagem externa e falada influencia o pensamento. A HLP muda o foco da influência da linguagem externa para a ideia de que o próprio pensamento é estruturado como uma linguagem, operando internamente [28].
A pesquisa futura poderia se beneficiar de uma definição mais precisa dos mecanismos através dos quais a linguagem influencia o pensamento, bem como de abordagens metodológicas que permitam estabelecer relações causais mais claras. Neste caso, o pobre escriba acha que precisamos de mais matemáticos e menos psicólogos. A matemática é a linguagem da natureza. E, se a linguagem influencia o pensamento, a matemática deve influenciar o pensamento de forma mais profunda. A matemática é uma linguagem universal, e a sua estrutura lógica pode fornecer insights sobre como as diferentes línguas moldam o pensamento humano. Além disso, a matemática pode ser usada para modelar e quantificar as relações entre linguagem e cognição, permitindo uma análise mais rigorosa e precisa das interações entre esses domínios. Isso, sem falar que eu evitei falar dos modelos de linguagem que estão sendo desenvolvidos e que tem potencial para revolucionar a forma como entendemos a linguagem e o pensamento. Esses modelos, como o GPT, são capazes de gerar texto coerente e relevante em uma variedade de contextos, o que levanta questões sobre a relação entre linguagem, cognição e inteligência artificial. A matemática pode ser uma ferramenta poderosa para explorar essas questões e avançar nossa compreensão da relação entre linguagem e pensamento. Este pobre escriba acredita que a retroalimentação entre a matemática e os estudos de linguagem e cognição irão beneficiar os dos campos nos próximos anos.
Referências
-
THE DECISION LAB. The Whorf Hypothesis. 2023. Disponível em: https://thedecisionlab.com/reference-guide/linguistics/the-whorf-hypothesis. Acesso em: 30 mar. 2025.
-
VERYWELLMIND. The Sapir-Whorf Hypothesis: How Language Influences How We Think. 2023. Disponível em: https://www.verywellmind.com/the-sapir-whorf-hypothesis-7565585. Acesso em: 30 mar. 2025.
-
UNITED LANGUAGE GROUP. The Sapir Whorf Hypothesis and Language’s Effect on Cognition. 2023. Disponível em: https://www.unitedlanguagegroup.com/learn/the-sapir-whorf-hypothesis-and-languages-effect-on-cognition. Acesso em: 30 mar. 2025.
-
EBSCO. Linguistic relativity (Sapir-Whorf hypothesis). EBSCO Research Starters, 2023. Disponível em: https://www.ebsco.com/research-starters/language-and-linguistics/linguistic-relativity-sapir-whorf-hypothesis. Acesso em: 30 mar. 2025.
-
OXFORD BIBLIOGRAPHIES. Linguistic Relativity. Oxford: Oxford University Press, 2022. Disponível em: https://www.oxfordbibliographies.com/abstract/document/obo-9780199772810/obo-9780199772810-0026.xml. Acesso em: 30 mar. 2025.
-
WIKIPEDIA. Linguistic relativity. 2024. Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Linguistic_relativity. Acesso em: 30 mar. 2025.
-
ZHANG, P. et al. A critical review on the Sapir-Whorf hypothesis. International Journal of Research, v. 4, n. 8, p. 182-231, 2017. Disponível em: https://www.allsubjectjournal.com/assets/archives/2017/vol4issue8/4-7-182-231.pdf. Acesso em: 30 mar. 2025.
-
BRITANNICA. Whorfian hypothesis: Linguistic Relativity, Definition, Language. Encyclopedia Britannica, 2023. Disponível em: https://www.britannica.com/science/Whorfian-hypothesis. Acesso em: 30 mar. 2025.
-
FIVEABLE. Sapir-Whorf Hypothesis - (Intro to Anthropology). 2023. Disponível em: https://library.fiveable.me/key-terms/intro-anthropology/sapir-whorf-hypothesis. Acesso em: 30 mar. 2025.
-
FIVEABLE. Sapir-Whorf Hypothesis - (Cognitive Psychology). 2023. Disponível em: https://library.fiveable.me/key-terms/cognitive-psychology/sapir-whorf-hypothesis. Acesso em: 30 mar. 2025.
- SIMPLY PSYCHOLOGY. Sapir–Whorf hypothesis (Linguistic Relativity Hypothesis). 2022. Disponível em: https://www.simplypsychology.org/sapir-whorf-hypothesis.html. Acesso em: 30 mar. 2025. **
-
TOMEDES. Exploring the Interplay of Language and Thought: An Overview of Linguistic Theories**. 2023. Disponível em: https://www.tomedes.com/translator-hub/overview-of-linguistic-theories. Acesso em: 30 mar. 2025.
-
THE ENGLISH NOOK. The Influence of Language on Thought and Perception. 2024. Disponível em: https://the-english-nook.com/2024/02/09/the-influence-of-language-on-thought-and-perception/. Acesso em: 30 mar. 2025.
-
LUCY, J. A. Linguistic Relativity. Notre Dame: University of Notre Dame, 2021. Disponível em: https://cslc.nd.edu/assets/142525/lucy_linguistic_relativity.pdf. Acesso em: 30 mar. 2025.
-
REGIER, T.; XU, Y. The Sapir-Whorf hypothesis and inference under uncertainty. WIREs Cognitive Science, v. 8, n. 6, 2017. Disponível em: https://lclab.berkeley.edu/papers/whorf-wires-preprint-v2.pdf. Acesso em: 30 mar. 2025.
-
LUCY, J. A. Linguistic Relativity. In: Oxford Bibliographies in Anthropology. Oxford: Oxford University Press, 2022. Disponível em: https://www.oxfordbibliographies.com/abstract/document/obo-9780199766567/obo-9780199766567-0150.xml. Acesso em: 30 mar. 2025.
-
HETERODOX ACADEMY. The Fallacy of Linguistic Determinism in Intellectual Discussion and Classroom Learning. 2022. Disponível em: https://heterodoxacademy.org/blog/the-fallacy-of-linguistic-determinism-in-intellectual-discussion-and-classroom-learning/. Acesso em: 30 mar. 2025.
-
AMERICAN PSYCHOLOGICAL ASSOCIATION. Linguistic determinism. In: APA Dictionary of Psychology. Washington: APA, 2022. Disponível em: https://dictionary.apa.org/linguistic-determinism. Acesso em: 30 mar. 2025.
-
LEXICONISTA. Linguistic relativity: fact or wishful thinking? 2023. Disponível em: https://www.lexiconista.com/linguistic-relativity/. Acesso em: 30 mar. 2025.
-
ANTHROHOLIC. Sapir-Whorf Hypothesis in Linguistic Anthropology. 2023. Disponível em: https://anthroholic.com/sapir-whorf-hypothesis. Acesso em: 30 mar. 2025.
-
TAJU COACHING. Exploring the Sapir-Whorf Hypothesis: Does Language Shape Our Thoughts and Perception? 2023. Disponível em: https://www.tajucoaching.com/blog/exploring-sapir-whorf-hypothesis-does-language-shape-our-thoughts-and-perception. Acesso em: 30 mar. 2025.
-
STANFORD ENCYCLOPEDIA OF PHILOSOPHY. Philosophy of Linguistics: Whorfianism. Stanford: Stanford University, 2022. Disponível em: https://plato.stanford.edu/entries/linguistics/whorfianism.html. Acesso em: 30 mar. 2025.
-
ALLARD-KROPP, M. 3.1: Linguistic Relativity - The Sapir-Whorf Hypothesis. In: Languages and Worldview. Social Sci LibreTexts, 2023. Disponível em: https://socialsci.libretexts.org/Bookshelves/Anthropology/Linguistic_Anthropology/Languages_and_Worldview_(Allard-Kropp)/03%3A_The_Ethnolinguistic_Perspective/3.01%3A_Linguistic_Relativity-_The_Sapir-Whorf_Hypothesis. Acesso em: 30 mar. 2025.
-
WIKIPEDIA. Linguistic determinism. 2023. Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Linguistic_determinism#:~:text=Linguistic%20determinism%20is%20the%20concept,categorization%2C%20memory%2C%20and%20perception. Acesso em: 30 mar. 2025.
-
OXFORD REFERENCE. Linguistic determinism. In: Oxford Reference. Oxford: Oxford University Press, 2022. Disponível em: https://www.oxfordreference.com/display/10.1093/oi/authority.20110803100107512. Acesso em: 30 mar. 2025.
-
ZHANG, P. et al. A critical review on the Sapir-Whorf hypothesis. International Journal of Research, v. 4, n. 8, p. 182-231, 2017. Disponível em: https://www.allsubjectjournal.com/assets/archives/2017/vol4issue8/4-7-182-231.pdf. Acesso em: 30 mar. 2025.
-
WIKIPEDIA. Language and thought. 2024. Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Language_and_thought. Acesso em: 30 mar. 2025.
-
JACKWESTIN. Influence Of Language On Cognition - Language - MCAT Content. 2022. Disponível em: https://jackwestin.com/resources/mcat-content/language/influence-of-language-on-cognition. Acesso em: 30 mar. 2025.
-
GOFLUENT. More Than Words: How Language Affects The Way We Think. 2023. Disponível em: https://www.gofluent.com/us-en/blog/how-language-affects-the-way-we-think/. Acesso em: 30 mar. 2025.
-
ACCENT AVOCADO. Linguistic Relativity: 10 Examples You’ll Find Fascinating. 2024. Disponível em: https://accentavocado.com/linguistic-relativity-examples/. Acesso em: 30 mar. 2025.
-
THE ENGLISH NOOK. The Influence of Language on Thought and Perception. 2024. Disponível em: https://the-english-nook.com/2024/02/09/the-influence-of-language-on-thought-and-perception/#:~:text=The%20perception%20of%20color%20is,individuals%20perceive%20and%20distinguish%20hues. Acesso em: 30 mar. 2025.
-
LUMEN LEARNING. Language and Thinking: Introduction to Psychology. Disponível em: https://courses.lumenlearning.com/waymaker-psychology/chapter/reading-language-and-thought/. Acesso em: 30 mar. 2025.
-
PSYCHOLOGY TODAY. 2 Ways That Your Language Influences the Way You Think. 2024. Disponível em: https://www.psychologytoday.com/us/blog/social-instincts/202403/2-ways-that-your-language-influences-the-way-you-think. Acesso em: 30 mar. 2025.
-
VAIA. Language and Thought: Relationship & Theories. 2023. Disponível em: https://www.vaia.com/en-us/explanations/psychology/social-context-of-behaviour/language-and-thought/. Acesso em: 30 mar. 2025.
-
XIANG, M. et al. A Study on the Sufficient Conditional and the Necessary Conditional With Chinese and French Participants. Frontiers in Psychology, v. 13, 2022. Disponível em: https://www.frontiersin.org/journals/psychology/articles/10.3389/fpsyg.2022.787588/full. Acesso em: 30 mar. 2025.
-
CIBELLI, E. et al. The Sapir-Whorf Hypothesis and Probabilistic Inference: Evidence from the Domain of Color. PLOS One, v. 11, n. 7, 2016. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4951127/. Acesso em: 30 mar. 2025.
-
STANFORD ENCYCLOPEDIA OF PHILOSOPHY. Relativism: The Linguistic Relativity Hypothesis. Stanford: Stanford University, 2009. Disponível em: https://plato.stanford.edu/ARCHIVES/WIN2009/entries/relativism/supplement2.html. Acesso em: 30 mar. 2025.
-
THIERRY, G. Language may indeed influence thought. Frontiers in Psychology, v. 6, 2015. Disponível em: https://www.frontiersin.org/journals/psychology/articles/10.3389/fpsyg.2015.01631/full. Acesso em: 30 mar. 2025.
- WEISKOPF, R. A. Language of Thought Hypothesis. Internet Encyclopedia of Philosophy, 2020. Disponível em: https://iep.utm.edu/lot-hypo/. Acesso em: 30 mar. 2025.