Bootstrap e Intervalos de Confiança

por Frank de Alcantara em 16/08/2026

Bootstrap e Intervalos de Confiança

O sétimo artigo construiu o objeto central da inferência, a distribuição amostral de uma estatística, e o número que a mede, o erro padrão. Mas deixou um problema em aberto, e é um problema sério: a distribuição amostral é uma construção teórica sobre todas as amostras possíveis, enquanto, na vida real, temos uma única amostra em mãos. Para a média, uma fórmula fechada, $\sigma/\sqrt{n}$, resolve o caso. E para a mediana? Para um quantil? Para o coeficiente de correlação do sexto artigo? Não há fórmula simples de erro padrão para a maioria das estatísticas interessantes.

Este artigo resolve o impasse com uma das ideias mais engenhosas da estatística computacional: o bootstrap. A intuição é quase impertinente na sua simplicidade: se a amostra é a nossa melhor imagem da população, então reamostrar a própria amostra imita o ato de amostrar a população, e a variação entre essas reamostras aproxima a distribuição amostral que não podemos observar. Dessa ideia nasce o intervalo de confiança, o objeto com que a ciência de dados diz mais ou menos isto, com esta segurança. Construímos o bootstrap, o intervalo de confiança por reamostragem e o intervalo analítico clássico para média e proporção, com a interpretação correta declarada sem meias palavras. Usamos os oito salários da equipe e o combinado de sempre: C++23, Python no Colab e um experimento em JavaScript.

1. O princípio do bootstrap

O bootstrap parte de uma troca conceitual ousada. Não conhecemos a população, mas temos a amostra; então usamos a amostra observada como se fosse a população, e simulamos o processo de amostragem reamostrando dela. Se a amostra original tem tamanho $n$, uma reamostra (bootstrap sample) é obtida sorteando $n$ observações dessa amostra com reposição. Como o sorteio é com reposição, uma reamostra pode conter a mesma observação várias vezes e omitir outras, e é justamente essa variação que imita a variação que teríamos ao sortear novas amostras da população. Calculando a estatística de interesse em cada reamostra, obtemos a distribuição bootstrap, uma aproximação empírica da distribuição amostral do sétimo artigo.

A reposição é essencial, não um detalhe. Se reamostrássemos $n$ observações sem reposição de uma amostra de tamanho $n$, recuperaríamos sempre a amostra original apenas embaralhada, e a estatística não variaria nada. É a reposição que gera reamostras genuinamente diferentes: cada uma inclui algumas observações em duplicata e deixa outras de fora. Quantas ficam de fora? A probabilidade de uma observação específica não ser sorteada em nenhum dos $n$ sorteios é $(1-1/n)^n$, que para $n$ grande tende a $e^{-1}\approx0{,}368$. Ou seja, cada reamostra deixa de fora cerca de $37\%$ das observações originais e duplica outras tantas; para a nossa equipe de $n=8$, esse valor é $(1-1/8)^8\approx0{,}344$.

O que torna o bootstrap poderoso é a flexibilidade: a mesma ideia atende médias, medianas, quantis, correlações e muitos estimadores sem derivar uma fórmula para cada um. O método comum, porém, pressupõe que as observações sejam uma boa aproximação empírica de unidades independentes e identicamente distribuídas. Séries temporais, conglomerados, pares e amostras complexas exigem reamostragem que preserve sua estrutura, como bootstrap em blocos, por conglomerados ou por pares. O método paramétrico pode simular de um modelo ajustado quando a distribuição empírica é inadequada.

Também há limitações ligadas à estatística e ao tamanho amostral. Extremos, parâmetros na fronteira, estimadores não suaves, amostras muito pequenas e eventos raros podem produzir distribuições bootstrap incapazes de imitar a distribuição amostral relevante. O método quantifica a variação representada pelos dados e pelo esquema de reamostragem; não corrige cobertura deficiente, não resposta, mensuração ruim nem confusão. Sua generalidade é uma caixa de ferramentas, não uma dispensa de hipóteses.

1.1 Exercícios da Seção 1

1. Gere, à mão, três reamostras de tamanho $5$ com reposição do conjunto ${2,4,6,8,10}$ e calcule a média de cada uma.

Solução:

Sorteando com reposição, uma reamostra possível é ${4,4,8,10,2}$, com média $5{,}6$; outra, ${6,6,6,2,8}$, com média $5{,}6$; outra, ${10,8,8,4,10}$, com média $8{,}0$. As médias variam entre reamostras (aqui, de $5{,}6$ a $8{,}0$) em torno da média original $6$, e é essa variação que estima o erro padrão. Repetições dentro de cada reamostra são esperadas e necessárias.

2. Calcule a probabilidade de uma observação específica não entrar em uma reamostra de tamanho $n$, e o seu limite.

Solução:

Em cada um dos $n$ sorteios com reposição, a observação específica é evitada com probabilidade $1-1/n$. Como os sorteios são independentes, a probabilidade de ela ser evitada em todos é $(1-1/n)^n$. Pelo limite fundamental $\lim_{n\to\infty}(1-1/n)^n=e^{-1}\approx0{,}368$, cerca de $37\%$ das observações ficam de fora de cada reamostra para $n$ grande. Para $n=8$, o valor é $(1-1/8)^8\approx0{,}344$.

3. Por que a reamostragem do bootstrap é com reposição, e não sem?

Solução:

Sem reposição, sortear $n$ de $n$ observações devolve sempre o conjunto original, apenas reordenado, e a estatística não muda de reamostra para reamostra: a variação estimada seria zero. Com reposição, cada reamostra inclui algumas observações repetidas e omite outras, gerando conjuntos genuinamente diferentes cuja variação imita a de amostrar novamente a população. A reposição é o motor da variabilidade que o método precisa medir.

4. Mostre que a média das médias bootstrap aproxima a média da amostra original.

Solução:

Cada observação da amostra tem a mesma probabilidade de ser sorteada em cada posição de uma reamostra, então o valor esperado de uma observação reamostrada é a média da amostra original $\bar{x}$. Pela linearidade, o valor esperado da média de uma reamostra também é $\bar{x}$. Logo, a média das médias bootstrap converge a $\bar{x}$ conforme o número de réplicas cresce; a distribuição bootstrap fica centrada na estatística original, não no parâmetro desconhecido.

5. O bootstrap corrige viés de amostragem?

Solução:

Não. O bootstrap estima a incerteza devida à variação amostral, tratando a amostra como população substituta. Se a amostra original é enviesada, por seleção ou sobrevivência, todas as reamostras herdam o mesmo viés, e o intervalo resultante estará centrado no valor errado, ainda que estreito. O bootstrap mede precisão, não acurácia; contra viés, só um desenho amostral aleatório, do sétimo artigo, protege.

2. Erro padrão por bootstrap

O primeiro uso do bootstrap é estimar o erro padrão de uma estatística sem fórmula fechada. O procedimento é direto: gera-se um grande número $B$ de reamostras, calcula-se a estatística em cada uma, e toma-se o desvio padrão dessas $B$ estimativas. Esse desvio é a estimativa bootstrap do erro padrão, porque o erro padrão é, por definição, o desvio padrão da distribuição amostral, e a distribuição bootstrap a aproxima. Para a média dos oito salários da equipe, com $B=100\,000$ reamostras, o erro padrão bootstrap é aproximadamente $1{,}73$ mil reais.

Vale confrontar esse número com a fórmula analítica. O erro padrão estimado da média é $s/\sqrt{n}=5{,}227/\sqrt{8}\approx1{,}848$, um pouco maior que o bootstrap. A diferença não é erro: o bootstrap usa a variabilidade da amostra normalizada por $n$, ao passo que $s$ usa o divisor $n-1$; a razão entre os dois é $\sqrt{(n-1)/n}=\sqrt{7/8}\approx0{,}935$, e de fato $1{,}848\times0{,}935\approx1{,}73$. Para amostras grandes, os dois convergem, e a distinção some. O ponto é que, para a média, o bootstrap apenas confirma o que a fórmula já dava; o seu valor real aparece quando não há fórmula.

Para a mediana dos salários, reamostrar e medir o desvio das medianas dá aproximadamente $2{,}29$ mil reais. Esse número descreve o bootstrap empírico desta amostra, mas $n=8$ produz poucas medianas possíveis e uma distribuição discreta; sua qualidade como aproximação deve ser tratada com cautela. O mesmo procedimento pode ser aplicado a quantis, correlações e razões, desde que o estimador seja regular e a amostra contenha informação suficiente.

O máximo mostra uma falha estrutural: o máximo de uma reamostra nunca excede o máximo observado, embora uma nova amostra da população possa excedê-lo. Parâmetros de suporte e outros extremos pedem teoria de valores extremos, modelos paramétricos ou variantes específicas. Correlação próxima da fronteira, quantis em regiões com poucos dados e razões com denominador perto de zero também merecem diagnóstico. Executar o algoritmo é fácil; justificar que ele aproxima a distribuição certa é a parte estatística.

2.1 Exercícios da Seção 2

1. Descreva o procedimento para estimar o erro padrão bootstrap da mediana dos salários.

Solução:

Gera-se um grande número $B$ de reamostras de tamanho $8$ com reposição; em cada uma, calcula-se a mediana; ao final, toma-se o desvio padrão das medianas. O valor é aproximadamente $2{,}29$ mil reais neste esquema. O algoritmo pode receber muitas estatísticas, mas sua validade deve ser verificada para o estimador, o tamanho amostral e a estrutura dos dados.

2. Compare o erro padrão bootstrap da média com $s/\sqrt{n}$ e explique a pequena diferença.

Solução:

Os dois resultados serão:

Método Erro padrão
bootstrap $\approx1{,}73$
fórmula $s/\sqrt{n}$ $5{,}227/\sqrt{8}\approx1{,}848$

A diferença vem do divisor: o bootstrap normaliza a variabilidade da distribuição empírica por $n$, enquanto $s$ usa $n-1$. A razão será $\sqrt{(n-1)/n}=\sqrt{7/8}\approx0{,}935$, e $1{,}848\times0{,}935\approx1{,}73$. Para $n$ grande, o fator tende a $1$ e a diferença desaparece.

3. Por que o erro padrão bootstrap da mediana é maior que o da média nesta amostra?

Solução:

A comparação observada será:

Estatística Erro padrão bootstrap Consequência
média $1{,}73$ menor variabilidade nesta amostra
mediana $2{,}29$ maior variabilidade, mas maior robustez

Sob distribuições sem caudas muito pesadas, a mediana tem variância amostral maior que a média, tipicamente cerca de $\pi/2\approx1{,}57$ vezes a variância da média para a normal. Ela usa sobretudo a posição central e, portanto, pode variar mais de amostra para amostra, ainda que resista melhor a outliers.

4. Como o número de réplicas $B$ afeta a estabilidade da estimativa bootstrap?

Solução:

Mais réplicas reduzem o ruído de Monte Carlo da estimativa, que decresce como $1/\sqrt{B}$, exatamente a taxa do sétimo artigo. Com $B$ pequeno, repetir o bootstrap com sementes diferentes daria erros padrão visivelmente distintos; com $B$ grande, vamos dizer $10^4$ a $10^5$, a estimativa estabiliza. $B$ controla a precisão da simulação, não a incerteza estatística, que é limitada pelo tamanho $n$ da amostra original.

5. Por que o bootstrap falha para o máximo de uma distribuição?

Solução:

O máximo de uma reamostra é sempre uma das observações da amostra original, logo nunca excede o máximo observado. A distribuição bootstrap do máximo fica presa em valores menores ou iguais ao máximo amostral, subestimando sistematicamente a variabilidade do verdadeiro máximo populacional, que poderia ser maior. Estatísticas governadas por valores extremos escapam ao bootstrap comum, que só reembaralha o que a amostra já contém.

3. Intervalos de confiança: o conceito

Um erro padrão diz quão dispersa é a estimativa; um intervalo de confiança (IC) traduz essa dispersão em uma faixa com uma garantia declarada. Um intervalo de confiança de nível $1-\alpha$, vamos dizer $95\%$, é construído por um procedimento com a seguinte propriedade: se repetíssemos a amostragem e a construção do intervalo muitas vezes, cerca de $95\%$ dos intervalos conteriam o parâmetro verdadeiro. O nível de confiança é uma propriedade do procedimento, medida sobre amostras hipotéticas repetidas, não uma probabilidade sobre um intervalo particular já calculado.

Essa distinção é a fonte do erro de interpretação mais comum da estatística, e é preciso enfrentá-la de frente. A frase há $95\%$ de probabilidade de o parâmetro estar neste intervalo está errada na estrutura frequentista. O parâmetro é um número fixo, embora desconhecido; ele está ou não está dentro do intervalo calculado, sem probabilidade envolvida. O que é aleatório é o intervalo, que muda a cada amostra. A interpretação correta é sobre a cobertura de longo prazo: o método acerta $95\%$ das vezes, e temos confiança de $95\%$ porque usamos um método com essa taxa de acerto, não porque este intervalo específico tenha $95\%$ de chance de conter o alvo. Simular $95\%$ de intervalos e contar quantos contêm o parâmetro confirma a leitura: sob normal com parâmetro conhecido, uma simulação de vinte mil intervalos de $95\%$ cobre o parâmetro em cerca de $95{,}1\%$ das vezes.

Três fatores controlam a largura de um intervalo, e todos seguem da sua construção. Primeiro, o nível de confiança: exigir $99\%$ em vez de $95\%$ alarga o intervalo, porque cobrir o parâmetro mais vezes exige uma faixa maior; pedir $90\%$ o estreita. Segundo, o tamanho da amostra: como a largura é proporcional ao erro padrão $\propto1/\sqrt{n}$, quadruplicar $n$ reduz a largura à metade, a mesma economia dura do sétimo artigo. Terceiro, a variabilidade dos dados: dados mais dispersos produzem intervalos mais largos, porque há mais incerteza a acomodar. O intervalo de confiança é, em suma, a forma honesta de reportar uma estimativa: não um número seco, mas uma faixa acompanhada da confiança que o método merece.

3.1 Exercícios da Seção 3

1. Enuncie a interpretação correta de um intervalo de confiança de $95\%$.

Solução:

Se repetíssemos a amostragem e a construção do intervalo muitas vezes, cerca de $95\%$ dos intervalos assim construídos conteriam o parâmetro verdadeiro. A confiança é uma propriedade da taxa de acerto do procedimento ao longo de amostras repetidas, não uma probabilidade sobre o intervalo particular já calculado. O parâmetro é fixo; o intervalo é que é aleatório.

2. Aponte o erro na frase há $95\%$ de chance de $\mu$ estar neste intervalo.

Solução:

Na estrutura frequentista, $\mu$ é um número fixo e o intervalo calculado também é fixo depois de observados os dados; $\mu$ está ou não está dentro dele, sem probabilidade intermediária. A aleatoriedade estava no intervalo antes da amostragem, não em $\mu$. A formulação correta atribui os $95\%$ à cobertura de longo prazo do método, não a este intervalo específico.

3. Em uma simulação, constroem-se $100$ intervalos de $95\%$ a partir de $100$ amostras. Quantos se espera que contenham $\mu$?

Solução:

O rastreamento esperado será:

Passo Quantidade
intervalos construídos $100$
cobertura nominal $0{,}95$
intervalos que cobrem, em média $100\times0{,}95=95$
desvio dessa contagem $\sqrt{100\times0{,}95\times0{,}05}\approx2{,}2$

O número exato varia entre execuções. Ver alguns intervalos falharem é esperado e correto; um método de $95\%$ deve errar em torno de $5\%$ das vezes.

4. Qual o efeito de aumentar o nível de confiança de $95\%$ para $99\%$ sobre a largura?

Solução:

O intervalo alarga. Para cobrir o parâmetro em $99\%$ das amostras, em vez de $95\%$, é preciso uma faixa maior, o que se reflete em um valor crítico maior ($z$ passa de $1{,}96$ para $2{,}576$). Mais confiança custa mais largura; a informação nos dados é a mesma, e só redistribuímos o compromisso entre cobertura e precisão. Não há almoço grátis.

5. Como a largura do intervalo depende do tamanho da amostra?

Solução:

A largura é proporcional ao erro padrão, que escala com $1/\sqrt{n}$. Portanto, dobrar $n$ estreita o intervalo por um fator $\sqrt{2}\approx1{,}41$, e quadruplicar $n$ o estreita à metade. Reduzir a largura de um intervalo por um fator $k$ exige multiplicar a amostra por $k^2$, a relação quadrática entre precisão e custo amostral que a série repete desde o erro padrão.

4. Intervalo de confiança por bootstrap

O método mais direto é o intervalo do percentil. Constrói-se a distribuição bootstrap da estatística com $B$ reamostras e tomam-se os percentis que deixam $\alpha/2$ em cada cauda: $2{,}5$ e $97{,}5$ para um intervalo de $95\%$. Ele não impõe simetria normal, mas ainda depende de a distribuição empírica representar o processo amostral e de a aproximação bootstrap ter cobertura adequada. Sem fórmula não significa sem suposições.

Para a média dos oito salários da equipe, o método do percentil com $B=100\,000$ dá um intervalo de $95\%$ de aproximadamente $[8{,}7;\,15{,}4]$ mil reais, e um de $90\%$ de aproximadamente $[9{,}0;\,14{,}7]$; o intervalo de $90\%$ é mais estreito, como a Seção 3 previu. Aplicado à mediana, para a qual não há intervalo analítico elementar, o método funciona sem mudança: tomam-se os percentis da distribuição bootstrap das medianas. E para a diferença de duas médias, reamostra-se cada grupo separadamente, calcula-se a diferença em cada réplica e tomam-se os percentis da distribuição das diferenças, um procedimento que os experimentos A/B do próximo artigo usarão.

Confrontar o intervalo bootstrap com o analítico é instrutivo. Para a média desta amostra pequena, o intervalo $t$ é $[7{,}3;\,16{,}1]$, mais largo que o percentil $[8{,}7;\,15{,}4]$. Com $n=8$, a diferença não autoriza concluir que o intervalo mais estreito é melhor. O método do percentil tem cobertura apenas aproximada e pode errar quando há viés ou assimetria da distribuição do estimador.

O intervalo básico reflete os percentis em torno da estimativa observada. O intervalo BCa, corrigido por viés e aceleração, ajusta tanto o deslocamento quanto a mudança do erro padrão ao longo do parâmetro e costuma oferecer melhor precisão de cobertura para estimadores regulares. Nenhuma variante resgata informação que a amostra não contém. Comparar percentil, BCa e um método analítico plausível é uma análise de sensibilidade, não uma competição para escolher a faixa mais conveniente.

4.1 Exercícios da Seção 4

1. Descreva o método do percentil para um intervalo de $90\%$ da média.

Solução:

Gera-se um grande número $B$ de reamostras com reposição, calcula-se a média de cada uma, ordena-se a coleção de médias e tomam-se os percentis $5$ e $95$. A faixa entre eles é o intervalo de confiança bootstrap de $90\%$ pelo método do percentil. Para os salários da equipe, isso dá aproximadamente $[9{,}0;\,14{,}7]$ mil reais.

2. Como construir um intervalo bootstrap para a mediana?

Solução:

Idêntico ao da média, trocando a estatística: em cada reamostra, calcula-se a mediana em vez da média, e tomam-se os percentis $2{,}5$ e $97{,}5$ da distribuição bootstrap das medianas para um intervalo de $95\%$. A ausência de fórmula analítica elementar para a mediana é justamente o que torna o bootstrap indispensável aqui; o procedimento não muda em nada.

3. Por que o intervalo bootstrap percentil da média é mais estreito que o intervalo $t$ nesta amostra?

Solução:

O intervalo $t$ usa a distribuição exata sob amostragem normal e incorpora a estimativa de $\sigma$ por meio de $t_7$. O percentil usa a distribuição empírica de apenas oito valores e oferece cobertura aproximada. Sua menor largura pode refletir subcobertura, discretização e viés da aproximação. A qualidade deve ser julgada pela cobertura sob hipóteses plausíveis, não pela preferência por um intervalo estreito.

4. Como construir um intervalo bootstrap para a diferença entre as médias de dois grupos?

Solução:

Reamostra-se cada grupo separadamente, com reposição e mantendo o tamanho de cada um; em cada réplica, calcula-se a diferença entre as médias reamostradas dos dois grupos; ao final, tomam-se os percentis da distribuição bootstrap das diferenças. Se o intervalo de $95\%$ da diferença não contém zero, há evidência de que as médias diferem, ligação com os testes do próximo artigo.

5. Por que o intervalo bootstrap percentil pode ser assimétrico em torno da estimativa?

Solução:

O método do percentil não força equidistância em torno da estimativa. Se a distribuição bootstrap é assimétrica, os quantis ficam a distâncias diferentes. Isso pode representar assimetria real da incerteza, mas não garante cobertura correta; viés do estimador e amostra pequena também deslocam a distribuição. BCa tenta corrigir parte desses efeitos.

5. Intervalo analítico para média e proporção

Quando a normalidade é razoável, fórmulas fechadas dispensam a reamostragem. Considere a média amostral $\bar{x}$ de $n$ observações, o desvio-padrão populacional conhecido $\sigma$ e um nível de confiança $1-\alpha$. Denotamos por $z_{1-\alpha/2}$ o quantil correspondente da normal padrão, que vale $1{,}96$ para $95\%$ e $2{,}576$ para $99\%$. O intervalo para a média é $\bar{x}\pm z_{1-\alpha/2}\,\sigma/\sqrt{n}$, e a parcela $z_{1-\alpha/2}\,\sigma/\sqrt{n}$ é a margem de erro. Como quase nunca conhecemos $\sigma$, usamos em seu lugar o desvio-padrão amostral $s$ e substituímos o quantil normal pelo quantil $t_{n-1,\,1-\alpha/2}$ da distribuição $t$ de Student com $n-1$ graus de liberdade. Obtemos, assim, $\bar{x}\pm t_{n-1,\,1-\alpha/2}\,s/\sqrt{n}$. Para os oito salários, com $\bar{x}=11{,}7125$, $s=5{,}227$ e $t_{7,\,0{,}975}=2{,}365$, a margem é $2{,}365\times5{,}227/\sqrt{8}\approx4{,}37$, e o intervalo de $95\%$ é $[7{,}34;\,16{,}08]$ mil reais.

A distinção entre $z$ e $t$ importa, e importa mais quanto menor a amostra. A distribuição $t$, do quinto artigo, tem caudas mais pesadas que a normal, então o seu valor crítico é maior e o intervalo, mais largo: para $n=5$, $t_4=2{,}776$ contra $z=1{,}96$; para $n=100$, $t_{99}=1{,}984$, quase igual a $z$. O intervalo $t$ é mais largo porque paga, honestamente, pela incerteza de ter estimado $\sigma$ com poucos dados; usar $z$ com $\sigma$ estimado em amostra pequena produziria intervalos estreitos demais, com cobertura abaixo do prometido.

Para uma proporção, seja $\hat p$ a proporção observada em uma amostra de tamanho $n$ e seja $z_{1-\alpha/2}$ o quantil da normal padrão correspondente ao nível de confiança $1-\alpha$. A expressão simétrica

\[\hat{p}\pm z_{1-\alpha/2}\sqrt{\frac{\hat{p}(1-\hat{p})}{n}}\]

é o intervalo de Wald. Ele é popular, mas pode ter cobertura ruim em amostras pequenas ou proporções próximas de $0$ e $1$, além de poder ultrapassar os limites $[0,1]$. Uma escolha padrão melhor é o intervalo de Wilson. Usaremos $z=z_{1-\alpha/2}$ e denotaremos por $c$ o centro e por $h$ a meia largura:

\[c=\frac{\hat{p}+z^2/(2n)}{1+z^2/n}, \qquad h=\frac{z}{1+z^2/n} \sqrt{\frac{\hat{p}(1-\hat{p})}{n}+\frac{z^2}{4n^2}}.\]

O intervalo é $[c-h,c+h]$. Para $\hat{p}=4/8=0{,}5$ e $z=1{,}96$, Wilson fornece aproximadamente $[0{,}215;\,0{,}785]$. Ele continua largo, como deve ser com oito pessoas, mas tem cobertura geralmente melhor que Wald. Para planejar uma amostra independente simples, a aproximação $n=z^2p(1-p)/E^2$ usa $p=0{,}5$ no pior caso e dá cerca de $385$ para margem $0{,}05$ a $95\%$. Efeito de desenho, população finita, não resposta e multiplicidade podem aumentar ou reduzir essa necessidade.

5.1 Exercícios da Seção 5

1. Construa o intervalo de confiança de $95\%$ para a média dos salários com a distribuição $t$.

Solução:

Com $\bar{x}=11{,}7125$, $s=5{,}227$, $n=8$ e $t_{7,\,0{,}975}=2{,}365$, a margem é $2{,}365\times5{,}227/\sqrt{8}=2{,}365\times1{,}848\approx4{,}37$. O intervalo é $11{,}7125\pm4{,}37$, ou seja, $[7{,}34;\,16{,}08]$ mil reais. A largura considerável reflete a amostra pequena e a incerteza de estimar $\sigma$ com sete graus de liberdade.

2. Por que usar a distribuição $t$ em vez da normal quando $\sigma$ é desconhecido?

Solução:

Substituir $\sigma$ pela estimativa $s$ introduz incerteza adicional, que a normal ignora. A distribuição $t$, de caudas mais pesadas, compensa essa incerteza com um valor crítico maior, produzindo um intervalo mais largo e uma cobertura correta. Usar $z$ com $\sigma$ estimado subestima a incerteza em amostras pequenas, gerando intervalos estreitos demais que cobrem o parâmetro menos que os prometidos $95\%$.

3. Construa o intervalo de Wilson de $95\%$ para a proporção de trabalho remoto da equipe e compare-o com Wald.

Solução:

Com $\hat{p}=0{,}5$, $n=8$ e $z=1{,}96$, obtemos:

Intervalo Limites de $95\%$ Diagnóstico
Wilson $[0{,}215;\,0{,}785]$ cobertura mais confiável em amostras pequenas
Wald $[0{,}154;\,0{,}846]$ aproximação mais instável para $n$ pequeno

Ambos revelam grande incerteza, mas Wilson se comporta melhor e respeita os limites possíveis de uma proporção.

4. Que tamanho de amostra garante uma margem de erro de $0{,}05$ para uma proporção, a $95\%$?

Solução:

Invertendo a margem $E=z\sqrt{\hat{p}(1-\hat{p})/n}$, obtém-se $n=z^2\hat{p}(1-\hat{p})/E^2$. No pior caso, $\hat{p}=0{,}5$ maximiza $\hat{p}(1-\hat{p})=0{,}25$, dando $n=1{,}96^2\times0{,}25/0{,}05^2=3{,}8416\times0{,}25/0{,}0025\approx385$ (arredondando para cima). É o número típico de respondentes de uma pesquisa de opinião com margem de três a cinco pontos.

5. Compare a largura dos intervalos $z$ e $t$ para $n=5$ e $n=100$.

Solução:

A comparação dos valores críticos será:

$n$ Crítico $t$ Crítico $z$ Excesso de largura do intervalo $t$
$5$ $2{,}776$ $1{,}96$ cerca de $42\%$
$100$ $1{,}984$ $1{,}96$ cerca de $1{,}2\%$

Conforme $n$ cresce, $s$ estima $\sigma$ com mais precisão, a incerteza extra desaparece e a distribuição $t$ converge para a normal.

6. Bootstrap em C++ e no Colab

Implementamos o bootstrap para a média dos salários, estimando o erro padrão e o intervalo de confiança pelo método do percentil. O programa reamostra com reposição usando um gerador de índices uniformes, acumula as médias reamostradas, e ao final calcula o desvio (erro padrão bootstrap) e os percentis $2{,}5$ e $97{,}5$ (intervalo de $95\%$). Compile com g++ -std=c++23 -O2 -Wall -Wextra -Wconversion -Wshadow -pedantic bootstrap.cpp -o bootstrap.

#include <algorithm>
#include <cmath>
#include <cstdint>
#include <iomanip>
#include <iostream>
#include <random>
#include <vector>

// Percentile of an already-sorted vector, by linear interpolation.
double percentil(const std::vector<double>& ordenado, double p) {
    const double pos = p / 100.0 * static_cast<double>(ordenado.size() - 1);
    const std::size_t lo = static_cast<std::size_t>(std::floor(pos));
    const std::size_t hi = static_cast<std::size_t>(std::ceil(pos));
    const double frac = pos - static_cast<double>(lo);
    return ordenado[lo] * (1.0 - frac) + ordenado[hi] * frac;
}

int main() {
    const std::vector<double> salario = {6.5, 9.0, 12.0, 15.5, 8.2, 22.0, 7.1, 13.4};
    const std::size_t n = salario.size();
    constexpr std::uint64_t B = 100'000;

    std::mt19937 gerador(42);
    std::uniform_int_distribution<std::size_t> sorteia(0, /*inclusive*/ 7);

    std::vector<double> medias;
    medias.reserve(B);
    for (std::uint64_t b = 0; b < B; ++b) {
        double soma = 0.0;
        for (std::size_t i = 0; i < n; ++i) soma += salario[sorteia(gerador)];
        medias.push_back(soma / static_cast<double>(n));
    }

    double m = 0.0;
    for (const double v : medias) m += v;
    m /= static_cast<double>(B);
    double sq = 0.0;
    for (const double v : medias) { const double d = v - m; sq += d * d; }
    const double ep = std::sqrt(sq / static_cast<double>(B - 1));

    std::sort(medias.begin(), medias.end());
    std::cout << std::fixed << std::setprecision(4)
              << "erro padrao bootstrap = " << ep << '\n'
              << "IC 95% percentil       = [" << percentil(medias, 2.5)
              << ", " << percentil(medias, 97.5) << "]\n";
}

A saída aproximada, com a semente $42$, é

erro padrao bootstrap = 1.7232
IC 95% percentil       = [8.6500, 15.3250]

O erro padrão bootstrap, $\approx1{,}73$, reproduz o valor da Seção 2, e o intervalo de $95\%$, $\approx[8{,}7;\,15{,}4]$, o da Seção 4. Os dígitos exatos dependem do gerador e do número de réplicas, mas a estabilidade em $B=100\,000$ é boa. No Colab, o bootstrap é uma linha com NumPy: medias = rng.choice(salario, size=(100_000, 8), replace=True).mean(axis=1) gera as médias reamostradas, medias.std(ddof=1) dá o erro padrão, e np.percentile(medias, [2.5, 97.5]) dá o intervalo. A biblioteca scipy.stats.bootstrap empacota o procedimento com variantes mais sofisticadas que corrigem o pequeno viés do método do percentil mencionado na Seção 4.

6.1 Exercícios da Seção 6

1. Por que o programa usa std::uniform_int_distribution sobre os índices, e não sobre os valores?

Solução:

A reamostragem sorteia posições da amostra original com reposição, e o índice é a forma natural de fazê-lo: cada sorteio escolhe um índice de $0$ a $n-1$ uniformemente, e o valor correspondente entra na reamostra. Sortear índices funciona para qualquer tipo de dado e deixa explícito que a reposição ocorre no nível das observações, não dos valores numéricos, que poderiam repetir-se legitimamente na amostra original.

2. Qual a complexidade de tempo e de espaço do bootstrap implementado?

Solução:

O tempo é $O(B\times n)$ para gerar as reamostras, mais $O(B\log B)$ para ordenar as médias antes dos percentis, dominado pelo primeiro termo quando $n$ e $B$ são comparáveis ao produto. O espaço é $O(B)$, para guardar as médias reamostradas. Para os oito salários com $B=100\,000$, são oitocentos mil sorteios e uma ordenação de cem mil elementos, trabalho de milissegundos.

3. O que muda no código para estimar o erro padrão bootstrap da mediana?

Solução:

Em vez de acumular a soma e dividir, cada reamostra precisa ser copiada para um vetor, ordenada, e ter a sua mediana extraída (média dos dois centrais para $n$ par). Substitui-se o cálculo da média pelo da mediana no laço interno, mantendo o resto. O erro padrão resultante seria $\approx2{,}29$, o valor da Seção 2, maior que o da média.

4. Por que os dígitos exatos da saída não são perfeitamente reprodutíveis entre bibliotecas?

Solução:

Embora o mt19937 seja padronizado, o mapeamento de std::uniform_int_distribution para um intervalo pode variar entre implementações da biblioteca padrão, como o quarto artigo já observara. Além disso, o resultado é uma estimativa de Monte Carlo que depende da sequência de sorteios. O que se mantém entre execuções e bibliotecas é a proximidade ao erro padrão e ao intervalo teóricos, não os últimos dígitos.

5. Como o intervalo bootstrap se estreitaria se a amostra original tivesse $32$ salários em vez de $8$?

Solução:

A largura do intervalo é governada pelo erro padrão $\propto1/\sqrt{n}$ da amostra original, não por $B$. Quadruplicar $n$ de $8$ para $32$ reduziria o erro padrão, e portanto a largura do intervalo, aproximadamente à metade. Aumentar $B$ apenas suaviza a estimativa dos percentis; é o tamanho da amostra real, e não o número de reamostras, que compra precisão estatística.

7. Um laboratório para o bootstrap

O bootstrap é um método que a intuição aprende vendo a distribuição bootstrap se formar, réplica a réplica. O laboratório abaixo parte de um pequeno conjunto de dados, o dos salários da equipe, e deixa a leitora acionar reamostragens sucessivas, observando o histograma da estatística bootstrap crescer e o intervalo de confiança por percentil se desenhar sobre ele. Controles ajustam o número de réplicas e permitem trocar a estatística entre média e mediana, tornando visível por que a mediana produz um intervalo mais largo.

O que o laboratório ensina é que o intervalo de confiança não cai do céu: ele é lido diretamente da distribuição bootstrap, cujos percentis $2{,}5$ e $97{,}5$ marcam as bordas. Ao aumentar o número de réplicas, a leitora vê o histograma suavizar e o intervalo estabilizar, ilustrando que mais réplicas refinam a estimativa da simulação sem estreitar o intervalo, que depende do tamanho fixo da amostra. Ao trocar média por mediana, o intervalo alarga, tornando tátil a maior variabilidade da mediana discutida na Seção 2.

7.1 Exercícios da Seção 7

1. Com poucas réplicas, o histograma bootstrap é irregular. O que acontece ao aumentá-las?

Solução:

Com poucas réplicas, o histograma tem picos e vales erráticos, ruído de Monte Carlo da simulação. Aumentando o número de réplicas, ele suaviza e converge para a forma da distribuição amostral que aproxima, e os percentis que definem o intervalo estabilizam. A melhora segue a taxa $1/\sqrt{B}$; o intervalo não estreita, apenas fica mais bem estimado.

2. Por que aumentar as réplicas não estreita o intervalo de confiança?

Solução:

A largura do intervalo reflete a incerteza estatística, fixada pelo tamanho $n$ da amostra original e pela variabilidade dos dados. As réplicas $B$ apenas estimam com mais precisão os percentis da distribuição bootstrap; elas reduzem o erro de simulação, não a incerteza dos dados. Estreitar o intervalo de verdade exigiria mais dados reais, não mais reamostras dos mesmos dados.

3. Troque a estatística de média para mediana e descreva o efeito sobre o intervalo.

Solução:

O intervalo da mediana é mais largo que o da média para esta amostra, porque a mediana tem maior variabilidade amostral sob distribuições sem caudas muito pesadas, como discutido na Seção 2. A distribuição bootstrap das medianas é mais dispersa, então os percentis $2{,}5$ e $97{,}5$ ficam mais afastados. O laboratório mostra as duas distribuições lado a lado ao alternar a estatística.

4. Como o laboratório marca o intervalo de confiança sobre o histograma?

Solução:

Ele ordena as estatísticas bootstrap acumuladas e desenha linhas verticais nos percentis $2{,}5$ e $97{,}5$, que delimitam o intervalo de $95\%$. A faixa entre as duas linhas contém $95\%$ das réplicas. Essa leitura direta é o método do percentil da Seção 4 tornado gráfico: o intervalo é literalmente a região central da distribuição bootstrap.

5. Se a leitora pudesse acrescentar dados à amostra original no laboratório, o que aconteceria com o intervalo?

Solução:

Acrescentar observações reais aumentaria $n$ e, por consequência, estreitaria a distribuição bootstrap e o intervalo, à taxa $1/\sqrt{n}$. É a distinção central: mais dados reais reduzem a incerteza e estreitam o intervalo; mais reamostras dos mesmos dados apenas refinam a estimativa. O laboratório separa visualmente os dois efeitos, o que o texto separou em palavras.

8. Conclusão

Este artigo resolveu o impasse deixado pelo anterior: medir a incerteza quando a derivação analítica é difícil. O bootstrap reamostra os dados segundo uma estrutura que deve reproduzir o desenho e o estimador; vimos por que independência, tamanho amostral e regularidade ainda importam. Construímos intervalos pelo percentil, apresentamos o BCa como correção de ordem superior e mantivemos a interpretação frequentista em termos de cobertura. Para fórmulas analíticas, usamos $t$ na média sob o modelo normal e Wilson na proporção, evitando tratar o intervalo de Wald como padrão em amostras pequenas.

O fio a levar adiante é que o intervalo de confiança responde à pergunta quanto?, cercando um parâmetro com uma faixa. Muitas decisões, porém, exigem responder sim ou não?: esta mudança teve efeito, ou a diferença observada é obra do acaso? O próximo artigo constrói o aparato que responde a essa pergunta, os testes de hipótese e os experimentos A/B, com a hipótese nula, o teste de permutação, o p-valor e a consciência exata do que cada um significa e do que nenhum deles garante. O bootstrap e o intervalo de confiança que dominamos aqui serão, ao longo de toda a segunda metade da série, os companheiros constantes desse aparato.

Acrônimos e Abreviações neste artigo

A seguir está a lista de todos os acrônimos e abreviações identificados no texto, organizados em ordem alfabética com o termo original em inglês e a tradução para o português:

Acrônimo / Abreviação Definição em Inglês Tradução em Português
BLAS Basic Linear Algebra Subprograms Subprogramas Básicos de Álgebra Linear
CPU / CPUs Central Processing Unit Unidade Central de Processamento
FLOPs Floating Point Operations Operações de Ponto Flutuante
FP32 32-bit Floating Point Ponto Flutuante de 32 bits
GEMM General Matrix Multiply Multiplicação Geral de Matrizes
GPU Graphics Processing Unit Unidade de Processamento Gráfico
IA Artificial Intelligence Inteligência Artificial
I-JEPA Image Joint-Embedding Predictive Architecture Arquitetura Preditiva de Incorporação Conjunta de Imagem
JEPA Joint-Embedding Predictive Architecture Arquitetura Preditiva de Incorporação Conjunta
KiB Kibibyte Kibibyte
MAE Masked Autoencoder Autocodificador Mascarado
MSE Mean Squared Error Erro Quadrático Médio
MSVC Microsoft Visual C++ Microsoft Visual C++
PCA Principal Component Analysis Análise de Componentes Principais
SIMD Single Instruction, Multiple Data Instrução Única, Múltiplos Dados
SimCLR Simple Framework for Contrastive Learning of Visual Representations Estrutura Simples para Aprendizado Contrastivo de Representações Visuais

Referências

ADHIKARI, A.; DENERO, J.; WAGNER, D. Computational and Inferential Thinking: The Foundations of Data Science. UC Berkeley Data 8. Disponível em: https://inferentialthinking.com/. Acesso em: 23 jul. 2026.

BRUCE, P.; BRUCE, A.; GEDECK, P. Practical Statistics for Data Scientists. 2. ed. Sebastopol: O’Reilly, 2020.

EFRON, B.; TIBSHIRANI, R. J. An Introduction to the Bootstrap. New York: Chapman & Hall, 1993.

LARSON, R.; FARBER, B. Estatística aplicada. 6. ed. São Paulo: Pearson, 2015.

WALPOLE, R. E. et al. Probabilidade e estatística: para engenharia e ciências. 8. ed. São Paulo: Pearson, 2008.

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